Às vezes, não se sabe bem como, cai-nos no colo, exatamente o que precisamos de ver, ouvir para voltar a sentir e tomar o rumo certo. Hoje foi isto. Bom sussurro.
A vida ensina. Primeiro num murmúrio, depois mais alto, até que grita a plenos pulmões.
A vida ensina a respirar. A parar para pensar. A gerir a dor, a frustração, a deceção. A vida mostra e testa a força de cada um. Que o mundo raramente acaba nesses dias. Que os dias de tristeza, são os dias de viragem, haja força, ânimo e confiança para tal. E fé, muita, muita fé.
A vida será um balanço destas forças de cinza e arco-íris e mostra o dinamismo de tantas formas.
Haja abraços verdadeiros.
Haja amizades, amores e a certeza, que um dia, um dia vá bater tudo certo.
Instruções de leitura:Ler com esta banda sonora. Não sei se é universal ou não. A música em mim sempre teve este efeito. Não ligo à letra propriamente dita, seja em que língua for. Ligo à língua da melodia, se sobe de tom ou não, as pausas, os ritmos...tudo é respirável. Como se fosse uma linguagem universal que me toca às emoções. Quem me conhece sabe que as emoções fazem parte do cardápio diário: na profissão, na forma de estar, de ser, de dar, de receber. Acho que, por isso mesmo, posso ouvir a mesma música, vezes e vezes sem conta, até ficar enjoadinha, enjoadinha e mesmo assim, insisto até quase vomitar todas as notas. Todas as notas, e não as letras. Foi por isso mesmo que vi a apresentação deste filme, no sítiode inspiração de tantos dias e não descansei enquanto não descobri como se chamava esta música. Não sei quantas vezes a ouvi já... E ao mesmo tempo que estava a ouvi-la, estava a ler esta históriae como é uma história de determinação, de força, de coragem, história em que a idade não conta, nem o número de filhos, da dose certa de loucura, de ser sempre tempo de começar de novo, do nada, do sim, de muitas vezes sim, histórias de acreditar que sim. É disso que precisamos mais. Histórias de acreditar que sim. E sim, chorei um pouco porque me fazem sempre sentido histórias de verdade, de voltar a acreditar que um dia vai ser assim, cortar a meta. As tantas que temos que cortar mas que estamos a adiar. Histórias de acreditar que sim. Vamos a isto?
Há fases de vida que de tão negras que são, nem cor têm. Tão raquiticas e maquiavélicas que nem o arco-íris quer nada com elas! Ficam assim uma michelânia de tons cinza. Cinza claro, escuro, cinza assim-assim. E mesmo que se quisesse passar corrector ou uma borracha por cima, estão de tal maneira incrustadas que parece que nada as demove. Carracitas é o que são!
Parece... Mas depois entre um telefonema e outro, alguém inesperado e altamente imprevisto e improvável, respondendo aos agradecimentos feitos por nos tentar colorir o dia diz: "É para isso que a gente cá está." Fica-se a pensar que afinal há quem caminhe ao lado ou por nós. Os amigos, aqueles mesmo a sério e que se chegam à frente de peito cheio (sem implantes esquisitos) nestas fases cinzentonas, esses já naturalmente acompanham e são, sem dúvida fundamentais. Falo dos outros, os amigos imprevistos que nos surpreendem com uma tirada desta e que por nós caminham quando já não se aguenta avançar mais.
Tenho um exercício com a minha muito querida amiga T.T. (sim, Todo o Terreno, porque está lá nos altos e nos baixos!). Num espaço de um dia estarmos atentas a tudo o que possa ser um mimo ou uma pequena lufada de ar fresco, que leve a um sorriso ou bem-estar, e enviar uma à outra via sms. As variantes de partilha ficam ao critério de cada um mas faz olhar para os acontecimentos do dia com outros olhos. É experimentar que vale a pena.
Mesmo nos dias mais cinzentos e por mais turva que esteja a visão é possível ver as muitas cores que estão por baixo da tristeza e desilusão. É mesmo. Por isso mesmo é recorrer aos amigos à séria e aos imprevistos. E o resto...há-de correr bem.
E quando tudo parece sufocar porque as portas teimam em fechar é voltar ao básico. Respirar. Inspirar, expirar. Tão simples. Eficaz. Económico. Básico. Os tempos não estão fáceis. Cansada de o ouvir e sentir na pele.
E por isso mesmo já chega! Basta! Voltar ao básico: respirar tal como os bebés quando nascem. E se não podemos ficar deitados só a dormir e comer como eles, podemos reduzir ao que é mais importante só para aquele momento e para continuar a andar para a frente. O resto, todo o resto virá com o tempo, a força que entretanto vai crescendo. É que depois de se ter chegado ao fundo, e recusando que se queira permanecer por lá, é voltar a subir e respirar. Um momento de cada vez. Só isso. É experimentar fregueses, é experimentar! Inspira, expira, inspira, expira...