Trouxeram mensagens cheias de amor. Pessoas de abraços fortes e gordos (como um amigo me enviou...expressou bonita esta). Pessoas de bem-querer com quem nem sempre se está a falar, mas que estão lá quando é preciso, e às vezes quando não o é de todo mas vêm nestes caminhos que se cruzam uma forma de estar e sentir as amizades de verdade.
Os entas trouxeram surpresas de mimos e de gente que me apareceu, por pura magia deste amor que nos une. O dia começou, e terminou assim. Com gente a aparecer de corpo, quando os tenho sempre presente na alma dos dias, nos outros tantos dias.
Recebi abraços, vi muitos olhos a brilhar. Demorei-me no olhar de quem olha por mim e por quem tenho também tanto gosto em olhar ao longo do resto do ano.
Os meus a chorar de felicidade em alguns momentos.
Foi um dia de verdades, de muita felicidade pelas pequenas tão grandes coisas que nos preenchem os dias e que neste dia intensificam as cores.
Na certeza de que não precisamos de ter fogo de artifício a acontecer, apenas a energia pura de quem nos quer bem.
Eles chegaram e confirmaram a certeza do que realmente interessa, nas minhas verdades de caminhar.
Bem haja a todos. Um abraço gordo, obeso de tanto vos querer bem.
Quando era miúda vivia aquela ânsia de chegar o dia de anos. De ter a família à volta da mesa, das prendas, do bolo (sempre feitos pela doce mãe, coberto de natas e enfeites de muitas cores, tão bom, tão cheio de tudo o que realmente importante), da roupa a estrear naquele dia. De me sentir princesa a iniciar mais um ano a estrear.
Só que havia um pequeno senão. Mais ou menos na altura de cantar os Parabéns, abatia-se sobre mim uma tal nervoseira de ter toda a gente ali, que sucumbia a tanta energia boa e ... desatava a chorar! Fotografias lindas que tenho dessa fase, dignas de retratar uma qualquer cena de espancamento em que eu seria a vítima de tanto...amor. Toda a gente com cara de enterro, eu a chorar e a minha querida mãe, comigo ao colo, a soprar as velas por mim. Ahhhh, as nossas figurinhas lindas. Com os anos lá fui digerindo melhor aquela exposição que demorava o tempo de cantar os Parabéns e foi já com as primeiras festas com os amigos de escola, que se perderam as vergonhas e se aceitou o bom que é ter gente boa reunida ali à volta.
Sabendo deste meu passado obscuro e deste medo (pânico) de "palco", tomei a decisão, há mais ou menos um ano, de me despedir condignamente, do ano desta década que termina hoje. Não fosse o diabo tecê-las e aparecer o monstro do bolo de anos. Não é que não goste das surpresas, dos mimos todos, da atenção. Apenas nunca sei muito bem como reagir! E sendo que muita da minha vida profissional acenta na inteligência emocional...dos outros, achei por bem fazer alguma coisinha de jeito com a inteligência emocional aplicada a minha pessoa.
Por isso, ficam algumas recomendações à navegação para amanhã:
nada de gente desnudada a saltar de um qualquer bolo. É só por causa do bolo. Gosto de massa caseira...
rebentarem 500 balões à porta de casa;
se conseguirem trazer o Chris Martin para cantar "A sky full of stars" é favor avisarem-me 10 minutos antes para compor o cabelo;
não tenho o passaporte atualizado por isso, viagens em jatos particulares só dentro da europa. Talvez se for no jato do Ronaldo, não haja problemas...
Pronto, e agora que a fasquia está colocada onde pertence, que é sempre muito alta, tenho a certeza que vai correr tudo bem e fica para trás tudo o que não interessa. Foi um ano inteiro para arrumar as gavetas. Amanhã começa uma nova década. Venha ela.
Ahhh, e não podendo estar com todas as minhas pessoas sol, pode também ser assim: uma dedicatória na minha estação de rádio preferida, a de sempre. Simples, né?
As vezes as situações são o que são. Muitas vezes. Não mudamos as nuvens que apareceram no dia em que resolvemos levar aquele vestido curto e fomos apanhadas no meio de uma tromba de áuga. Ou as filas de trânsito. Ou os orçamentos. Ou a chávena que se entornou na camisa branca. Ou o cabelo em desalinho porque chove. Ou o mau feitio da colega. E os Ous da santa vidinha não acabam.
Muda sim, focar no assunto que nos interessa. Ser incisivo, cirúrgico até. Focar no que importa. Esquecer os Se´s ou os Ou´s. Muda a nossa vontade de dizer chega ao que dizem que tem que ser. Nunca tem que ser o que os outros querem, mas sim o que nós deixamos. Muda quando nós mudamos e viramos o dia ao contrário, no rumo certo do que precisamos para ... sorrir. O nosso sorriso. Mesmo que cheio de imperfeições. Deixar os melodramas de lado. A santa vidinha, é como é. Mudemos Nós, com o verão, dentro de nós, todo o santo ano, mesmo que hoje comece o outono. Porque quem manda somos nós. Preto.E.Branco.
Isto pode até ser velhinho mas ao rever fez-lhe lembrar as paixões de dançar até serem horas de ir embora. De perder noção do corpo e do tempo e de se deixar ir ao ritmo. O da música e dos dias. E que sempre se vai a tempo de ser uma Dancing Queen. Vai-se sempre a tempo de ser Queen do que faz despertar, com um friozinho no estômago a vontade de saltar da cadeira a que se acostumou a baloiçar ao ritmo dos dias, confortavelmente. Sair do conforto e atirar para a água de roupa vestida. Quando foi a última vez?
As histórias cruzaram-se. Gente que teima em continuar de pé apesar dos muitos senãos da vida. Fico sempre na dúvida de quem aprende mais, se eu que medeio a ação, se quem a recebe. Aprende-se tanto em conjunto.
A comida foi o pretexto para misturarmos tudo e sentar à mesa para novos sabores.
Faltam as panquecas... mas essas não deu tempo para fotografar...desapareceram num instante.
Perceber que a felicidade começa nas coisas pequenas. Muito pequenas. Um abraço sem se estar à espera. Um sorriso a prometer vida nova. Uma música de ritmos bons. Flores acabadas de colher que inspiram tudo o que é preciso para relembrar que é no tempo de inspirar e expirar que a vida acontece, nem antes, nem depois. Agora. A felicidade começa nas coisas pequenas. Haja sabedoria para vê-las e encontrá-las todos os dias. Haja perspectiva para o fazer. O resto, todo resto vem.
Pegou na pequena mochila que tinha à mão. Meia dúzia de objetos lá para dentro. Tudo o que fosse o básico e o essencial: carteira, livro, caneta, preservativos, escova, rimel, agenda, telemóvel e ... bolachas e água. Tudo muito simples e básico. Saiu. Bateu com a porta com aquela velocidade que permite ficar no limiar de um qualquer vidro partir. Só assim à beira do precipício do mundo do histerismo dos vidros. Esqueceu-se de desligar o pc. Queria lá bem saber. Que se amanhassem com a conta da electricidade, da contabilidade do mês que ficou por fazer, das plantas por regar, do café que ficou frio na chávena pronta a servir, dos relatórios por entregar, sempre urgentes e para ontem. Saiu. Saiu sem destino, o vento a bater-lhe na cara, as primeiras chuvas a comporem o penteado, já por si, a anunciar uma revolução que estava em marcha. Desceu a avenida. Subiu a quelha. Contornou as duas igrejas por onde passava todos os dias. Meteu-se pela parte mais antiga da cidade. Andou até que se cansou dos pés, das mãos frias, das pernas a pedirem descanso. Andou até que o corpo lhe doesse tanto que a impedissem de pensar. Parou junto a um quiosque. Do lado de lá da estrada uma loja mais antiga ainda do que aquela parte da cidade e que tinha adiado para ver, um dia destes. Viu entrar e sair gente como quem pede ao tempo que se espreguice no ritmo da respiração. E viu vassouras. Muitas vassouras: grandes, pequenas, muito coloridas. Nunca viu tantas vassouras juntas. Era varre-los à vassourada! - pensou. E porque não? Da fama já não se livrava de louca-alucinada-pronta atacar e refilar em qualquer altura. Levantou-se. As pernas a gemer e suplicar para que se deixasse estar. Os braços a empurrarem para trás, aproveitando a brisa mais forte que se fazia sentir naquela altura do ano. Estava determinada. Varre-los à vassourada. Esgravatou todos os cartões que tinha. Trocos, notas esquecidas nos bolsos. E foi. A D. Alzira, um pouco incrédula, ainda perguntou para que queria 23 vassouras. Todas as que tinha expostas e mais algumas do armazém. Limitou-se a sorrir e a pagar. Deu um beijo naquela bochecha com mais de seis décadas de histórias para contar e saiu, para espanto da pequenada que estava de regresso de mais um dia de escola. Seguiram-na até ao fim da ruela mas ela enxotou-os com um sorriso e umas ameaças de vassouras. Seguiu. Desta vez desceu a quelha e subiu a avenida. Imaginava a cara deles quando, um a um os empurrasse com a vassoura, porta a fora. Gente que não interessava. Subiu, cada um dos degraus com as 23 vassouras. Estava quase a bater à porta e olhou em volta. Ela e mais 23 vassouras. Percebeu então que não precisava de varrer gente que não interessava. Bastava varrer da sua mente, um a um para voarem para bem longe dali onde era o seu lugar de bem sorrir e ocupar-se com o que realmente interessava, pessoas-de-bem-querer. Pessoas de abraços sem pedir, que batem à porta sem mais nada mas que sabem a hora certa para ali entrarem. Pessoas que adivinham os dias e momentos de mal-querer e os transformam em momentos de ternura. Essas pessoas sim. As outras vão para as vassouras-que-as-pariu.