Às vezes quando os tiro do banho e há aquele impacto do quente, quente da água, ao sair para o mundo de fora, agarram-se ao lençol e dizem que têm frio. No compasso de espera em que os visto, em que se vestem, jogamos um jogo. Dizemos todas as palavras que nos lembram o calor: abraços mantas chocolate quente gorros luvas lareira praia em dias de calor e de novo abraços. Tantas possibilidades para brincar com palavras. Que palavras dizer para quando estamos: tristes? desiludidos? sem esperança? cansados? Funciona. O poder das palavras funciona porque a mente não tem limites e a mente está ligada às nossas emoções. E as nossa emoções estão ligadas à forma como mudamos a forma como pensamos. Simples.
Deixava os meus miúdos-tesouros logo pela manhã. Lembro-me que nos cruzámos algumas vezes. Umas vezes à chegada deles, outras vezes quando havia papeladas para tratar. E nas festas de final de ano. Sempre metida em ações dinâmicas. Recordo-me da forma despachada e prática como resolvia o que havia para fazer, indo ao cerne da questão. Uma entrega grande, diária. Um espírito jovem que nada tem a ver com a idade mas antes como uma forma de estar perante a vida, os dias, as situações. Não tem um pouso fixo e tornou isso uma forma de vida e de estar com os outros. Vai para onde for preciso, deixando os que ficam, sempre com saudades da sua forma de ser. Neste momento está numa missão em Moçambique, a fazer a diferença na 1ª pessoa. Retomamos o contacto via facebook. O lado bom do facebook. Vi um vídeo que postou. Sempre fazendo a ligação nas muitas palavras de fé que acredita e que põe em prática. Era um domingo de manhã. Os meus meninos-tesouros ainda de pijama, cabelos desgrenhados, a comerem o pequeno-almoço e a ver bonecos, sem relógios, sem pressas. Felizes. E eu a ver aquele vídeo, da Irmã, com um grupo de miúdos de sorriso rasgado, felizes por mais um chocolate. Um respeito, um amor tocável, à distância de cá. Não interessa mesmo a cor dos miúdos. Temos que ver para lá disso. Não interessam as roupas, os sapatos (a falta deles). Interessa-me a felicidade no rosto, a partilha, a simplicidade dos miúdos. Dos meus, e dos de lá e os de toda a parte.
Pensei como haveria de mostrar aos meus as imagens. Não queria que se centrassem na cor da pele, nas roupas, nas casas, na terra. Eles gostaram muito de ver e conseguiram ver os sorrisos, a felicidade de um chocolate. O respeito pelos mais novos. Ouço a irmã Patrícia a dizer "Primeiro os mais novos.". E os mais velhos a chegarem-se para trás. Um deles, vai buscar um pequenito. Pega-lhe ao colo. Também ele recebe o chocolate. A questão não é o chocolate. É o respeito adquirido. Do outro, para além do eu imediato. Bem haja Irmã Patrícia.
Vamos Cuscar?
Idade: 36
Naturalidade: Alferrarede - Abrantes Comidas preferidas: Todas as que a minha mãefaz! Um livro a não perder: Esta sim é uma perguntaverdadeiramente difícil… pois são tantos os imperdíveis… mas faço um exercício…fecho os olhos por alguns segundos e penso naquele que mais me marcou nosúltimos tempos “O Preço a pagar” de Joseph Fadelle. Se pudesse convidar alguém famoso (vivo ou morto) para jantar, quem escolheria e porquê? Convidava Maria Rivier, a fundadora da minha congregação e durante o jantar ia-lhe perguntar se ela vivesse hoje, o que faria de concreto por este mundo... uma vez que ela começou a congregação em plena revolução francesa, quando as igrejas eram fechadas. Padres e freiras eram expulsos e alguns mortos... E apenas tinha 1 metro e 32 centímetros de altura com saltos... (risos)... e foi para a frente sem recear nada e ninguém. Quando morreu tinha aberto 148 casas e escolas em França onde os pobres tinham o primeiro lugar... E hoje...o que faria?
1. Chegar a irmã religiosa é umasucessão de passos ou um belo dia acorda e tudo passou apenas a fazer sentidodeste modo? Um longo caminho a percorrer… umhistória simples de amor. Há quem ainda pense que se é “freira” por desgostosamorosos ou uma qualquer frustração… não! Esta vida é uma QUESTÃO de Amor… senão amo não faz sentido estar aqui. Mas posso partilhar um pouco da minhahistória… sempre fui um “pouco” rebelde e inconformada… sempre procurei algomais do que aquilo que o momento me poderia oferecer. E aos 13 anos numencontro de jovens e mais especificamente num momento de adoração sentiinteriormente que Deus me queria para Ele… às vezes pensa-se também que para seser freira tem que nos aparecer um Anjo ou algum acontecimento assimespetacular… não, nada disso… a vida é simples e feita de simplicidade… a partirdesse momento sentia interiormente o que queria mas não deixei de viver a minhaadolescência e juventude como todos os jovens da minha idade… saía à noite,tive namorados, e experiementei tudo o que tinha que experimentar sabendo quehavia um limite dada a escolha de vida que me propunha seguir.
A questão familia também não foifácil, pois não entendiam como poderia eu, cheia de vida e com todas ascondições para ser aquilo que quisesse ser no mundo, queria agora ir para umconvento…. Foi difícil a aceitação… mas quando nos sentimos chamadas paraseguir Jesus não há nenhuma força que nos puxe para trás… mesmo que as lágrimascaiam e que a dor pareça submergir-nos… entrei para o convento com 18 anosdepois de terminar o 12º ano… desde esse momento houve uma sucessão de passos…de vida cheia de alegria e também sofrimento… mas a Escolha continua a fazersentido… e agora um sentido mais pleno… pois é como que uma realização de umdesejo íntimo e secreto que sempre me habitou… ser e estar para e com os maispobres!
2. Qual a melhor parte e a partemais desafiadora deste caminho de entrega a uma fé?
A melhor parte? Pergunta difícil…mas posso responder sem hesitação: o OUTRO e quando falo no outro refiro-me atodos aqueles que ENCONTREIe ENCONTROao longo da vida… Que deixam marcas que são indeléveis… não são susceptíveis deser apagadas… se me perguntar o que mais me tocou durante os 8 anos que vivi emCernache do Bonjardim digo-lhe sem ter que pensar muito, a relação humana que estabeleci com as pessoas… crianças, pais, osidosos do centro de dia e do apoio domiciliário, as funcionárias, pessoas daparóquia, pessoas indiferentemente do seu género ou confissão religiosa… há quem diga que sou uma apaixonada pelasrelações humanas e é verdade… naquilo que têm de luz e sombras… a partemais desafiadora deste caminho… é sem dúvida ver CRISTO no outro principalmentenaquele “outro” que me magoa, que me maltrata, que me difama, que é obstáculo aque o BEM possa circular… esse sim é o maior desafio de uma vida… mas vem logoa resposta da fé “Cristo amou-me e entregou-se por mim…” então? Se me digocristã, também não deverei entregar-me e sofrer por Ele e com Ele mas sem carade sexta-feira santa… (risos)
3. Como surge a ideia de ir paraMoçambique? Nós como religiosas não temos opensamento nem o coração atado… não somos marionetas, nem alguém que não pensae não reflete sobre a vida… mas há umdiscernimento que fazemos com as nossas superioras… num diálogo franco e abertosegundo as inclinações do nosso coração.
E o meu coração desde sempresuspirou por fazer uma experiência diferente, num país diferente… onde eu nãotivesse “seguranças” materiais, afetivas, sociais, económicas… sempre desejeiviver um estilo de vida mais radical, mais pobre, mais dependente… tudo coisasque vão contra a lógica do mundo… que proclama a liberdade, a autosuficiência,o exito material e social…
Aceitei dizer sim a este desafiode uns anos nas missões, não por mim mesma nem para mim mesma… mas com estedesejo profundo de me gastar por amor… e quando digo gastar é mesmo GASTAR avida dando-me, pondo-me em comum com aqueles que nada têm… e não apenas e só auma elite de cristãos bem comportados…
4. Como é um dia típico aí?
Há duas partes… o dia na cidade, noBairro onde vivo e temos uma Escolinha Marinete (jardim de Infância) e uma Escolaaté à 7ª classe como aqui se designa, obra feita com a ajuda de benfeitores ecom o fundo de entre-ajuda da Congregação….
E o dia no interior (mato)… láonde encontro tantos rostos que me fazem “gritar os olhos”.
Mas partilho o meu horário:
Levanto-me às 4h para às 4h30estar na capela e ter um tempo de oração pessoal, onde geralmente me deixoinvadir pelo silêncio e escutar através da Palavra de Deus, o que Deus quer demim, no aqui e agora… é aí que encontro a força e a paz que me sustentam aolongo do dia. Às 5h40 rezamos Laudes (oração da manhã) em comunidade e cada umapelas 6h10 segue para os seu trabalhos.
Por aqui ajudo naquilo que me ésolicitado, mas basicamente estou disponível para acolher quem nos bate à portaa pedir ajuda alimentar ou simplesmente para ser ouvido. Acompanho nestemomento cerca de 10 famílias em tudo o que isso implica, quer a nível dealimentação, saúde pois várias são portadosras de HIV e tuberculose e companho-asao Hospital.
Estou atenta às jovens em situaçãode risco de familias desestruturadas…. Etento através do projecto de costura que iniciámos há pouco, capacitar estasmamãs (40) para poderem ter um ofício e organizar a sua vida.
Organizo e dinamizo um pouco oprograma de apadrinhamento e faço projectos para conseguirmos melhorar o nívelde vida e ensino das populações que vivem no interior (mato)…
Continuando com o horário, às12h30 almoçamos em comunidade, somos 5 Irmãs.
E à tarde continua como de manhãcada uma nos seus trabalhos.
Voltamo-nos a reunir às 18h para aEucaristia e oração de Vésperas e terço, a seguir o jantar… e depois… eu quecostumava ser uma pessoa que trabalhava muito durante a noite… agora pelas 19h…já estou com os olhos a fechar… é assim um dia… mas nunca me deito antes das23h pois gosto de ler e estar minimamente informada do que se passa no mundo…
No mato- Corrane que dista 60kmsda cidade de Nampula, neste momento estamos a construir uma capelinha com aajuda de uma benfeitora que me conheceu através do facebook e resolveu ajudar…e ai… a vida é mais exigente… pois não há nada ou quase nada… mesmo a água quea população bebe eu não a posso beber. Já tive uma malária que quase me levou àmorte mas graças a Deus resisti…
5. De que se sente mais falta esaudades, quando se está longe de casa?
Sente-se falta muitas vezes de umabraço… de uma palavra de conforto e estímulo… sente-se falta daqueles que sãonossos (família)… sente-se falta das relações de amizade verdadeiras que seconsolidaram durante anos… sinto muita falta dos “meus jovens de Cernache doBonjardim” que para mim são como “filhos”… mas aquilo que recebemos através deum sorriso ou de um abraço de uma criança minimiza tudo o resto…
6. Há momentos em que se duvida epensa "Onde é que eu me vim meter?"
Há… há momentos de lágrimas mesmo…quando te batem à porta com fome… e não tens nada para dar… quando fazes tudopara que uma pessoa não morra percorrendo 60kms de estrada de terra batida comuma pessoa quase morta dentro do carro e devido ao mau estado da estrada e docarro não podes andar a mais de 20kms hora…. E demoras 3h a chegar ao hospital…há momentos de lágrimas quando fazes tudo por alguém e esse alguém te morre nasmãos… há momentos de lágrimas e muita dor quando não tens o que dar a quem defacto tem fome, está nu… não tem onde se abrigar… e há também quem diga e penseque o que publico nas redes sociais é para fazer publicidade a mim mesma… mas éexatamente o contrário… quando vim para Moçambique houve alguém que me disseesta frase que me acompanha diariamente: “mesmoque não possas fazer nada por este povo… pelo menos DESPERTA AS CONSCIÊNCIAS!ACORDA OS INDIFERENTES… pois estas pessoas são pessoas como nós!”
Falta-nos muita coisa… parapodermos ajudar mais…
7. A ideia de um país africano,como Moçambique, onde só há meninos a precisar de ajuda é verdade mas... hámais do que apenas este estereótipo, não hã?
Sim… muito mais… há um fenómenohorrível que se chama corrupção… manipulação de interesses, desvios dedinheiro… Os fundos que deveriam chegar ao povo para que este se desenvolva anível de educação, a nível de exploração agrícola, industrial… fica retido nosbolsos de um pequeno grupo… e não tenho medo de o dizer e escrever. Há queverbalizar as injustiças… mesmo que o preço a pagar seja a própria vida. ComoIrmãs da Apresentação de Maria e segundo o carisma de Maria Rivier pocuramosser e estar com e para os mais pobres a nível da educação, da promoção, daformação integral…
8. Falando em preconceitos eestereótipos... com o que é que as pessoas ainda se espantam, pelo facto de seruma irmã religiosa?
Isso é uma longa história… há quempense que é frustração amorosa… mas quando me conhecem acabam por perceber queé uma questão de AMOR… amor a uma vocação, amor a Jesus Cristo que encontramosnaqueles que se cruzam no nosso caminho. Costumo dizer: É uma opção… é aqui epor aqui que vou encontrando a minha felicidade. Não sou melhor nem pior do queas outras pessoas, sou pessoa, com tudo o que está intrinseco neste ser pessoa…
9. Sejamos práticos. Para quemestá a ler, como pode ajudar nesta missão de Moçambique?
Práticos? Gosto sempre de dizer:JUNTEM-SE por uma causa… ajudem uma causa… sejam solidários… Vou dar-vos umexemplo: lancei uma campanha que se chama Mochila Solidária, e uma amiga daminha terra agarrou o projecto e mobilizou toda a cidade… conseguiu 2500 kgs dematerial escolar, roupa, alimentação… mas está tudo parado por causa da criseeconómica moçambicana e dos elevados valores alfandegários… então ninguém quertrazer estes bens num contentor devido à situação económica aqui do país.
Por isso para sermos práticos, secada pessoa der aquilo que puder economicamente, nem que seja 1 euro, aqui faztoda a diferença… se cada pessoa que está a ler esta entrevista escutar o seucoração, faça o que ele lhe disser colocando-se no lugar do outro. Com esseapoio poderemos continuar a comprar comida para quem tem fome e vem ao nossoencontro… a vossa generosidade poderá fazer toda a diferença. Não podemos salvar o mundo mas ajudar quem secruza connosco no caminho.
10. Este blog chama-se PensoRápido – pequenos remédios para as comichões do dia-a-dia. Que Penso Rápido usano teu dia-a-dia?
A oração… o silêncio… não aquele exteriormas aquele interior em que a alma se refaz e ganhamos forças… e quando estoumal mesmo mal… vou ter com ELE e com “eles”, aqueles que têm rosto e são GENTEcomo eu… mas não tem nada e no seu nada conseguem sorrir…
Nota da Autora do Blog: Hoje o meu pedido de passar a palavra, vai um pouco mais além. Às vezes fico reticente em ajudar e apoiar certas instituições. Tenho receio que nos meandros dos corredores burocráticos, as coisas se percam. Seja 1 euro ou 100. Perguntei à Irmã Patrícia se podia ajudar com uma mochila solidária. Queria envolver os meus meninos-príncipes nesta questão. Respondeu-me que sim mas que é tão mais difícil: eu teria que pagar muito de portes de correio, ela teria que pagar mais de 40 euros, só para levantar uma simples mochila. Que a forma mais fácil seria contribuir, com o que fosse, para a conta e que esse dinheiro se reverte em comprar farinhas essenciais para a alimentação das populações. Em cima, está uma fotografia que retrata isso mesmo. Por isso, um apelo para hoje:
passar a palavra a quem o entender e que possa contribuir para esta causa;
contribuir com algo: pode ser o valor de um café, de dois, dos cafés de uma semana inteira. O que for possível e confortável a cada um. Como diz a Irmã Patrícia, 1 euro faz a diferença.
Independentemente das crenças religiosas, trata-se de Pessoas. Juntos somos Mais.
Se quer ajudaresta missão, basta fazer o donativo e enviar o comprovativo para o mail da Irmã: pm.sofia@gmail.com Dados para Transferência Conta CadernetaNIB 0035 0752 00012202200 37 IBAN PT50 0035 0752 00012202200 37 BIC SWIFT CGDIPTPL
Nesta vontade e insitência de ter mais sorrisos e coração cheio no balanço dos dias. Hoje começa-se por aqui.Conosco, com os outros. Mas sobretudo, conosco.
"Houve um tempo em que ficava triste quando era maltratada. Agora não. Fico levemente incomodada. Um tempo em que os Nãos, se transformavam em dias e semanas. Agora não. Duram um tempo certo da respiração compassada de 5 minutos. Houve um tempo em que as portas se fechavam. Uma e outra. E outra. E outra ainda. À direita, à esquerda, à minha frente. Agora não. Escancaro as janelas todas lá de casa e da minha de cá. Um tempo, um espaço, um momento em que me pisavam os calos. Agora não. Hoje não. Hoje agradeço pelos calos que me pisam. Porque me doem. Porque me fazem sair e agir à procura de um lugar, só meu e deixar tudo o resto, para trás. Benditas calosidades. Elas protegem, elas fazem mexer."
Desabafos e certezas da minha querida, querida amiga Luísa.
Acho que perdi o conto das vezes em que apanhei um susto. Há muitos que eu sei que ele não me conta. Às vezes conta, muito tempo depois, quando estamos já em tempo de lareira acesa. Das vezes em que me liga a dizer que está tudo bem e a chamada termina com um urgente: "Tenho de desligar. Tenho de ir." E vai. E eu fico ali, sem saber bem como. Às vezes perguntam-me como é que consigo, sabendo o que ele faz. Que levanta voo, tantas vezes e que nunca se sabe muito bem como termina o dia, às vezes as semanas. Sei que trabalha em equipa. Tenho o número de alguns deles gravados. Quando não me atende, começo a ligar para quem me atende. E aprendi a esperar e a confiar, que é mesmo assim. Eu faço a minha parte deste lado e cuido dos nossos meninos-tesouro, nessas alturas ainda mais, que se foram habituando também a terem um pai, em dias de folga... sejam lá eles, quando forem. Ele faz a parte dele. 6 meses por ano é assim. Nos outros 6 é um pouquinho mais calmo.
Vamos Cuscar?
Idade: 39
Naturalidade: Coimbra
Comidaspreferidas: Bitoque e o Bucho da região.
Umlivro a não perder:Bíblia do Sporting
1. Serbombeiro é das profissões mais indicadas pelas crianças. Também o foi no teucaso?
Entre oAstronauta e o jogador de Futebol, o ser Bombeiro era o que ficava mais pertode casa. Como comecei nos Bombeiros com 14 anos posso dizer que sim, também foio meu caso… Hahaha!
2. Há sempremuitos comentários e "treinadores de bancada" das pessoas, que apenasestão a observar-vos a trabalhar. O que é que te põe em fogo, quando andam acombater incêndios?
Depois deestares 2 ou 3 dias a combater um incêndio e passar alguém por ti a dizer quenão anda por aqui ninguem a trabalhar, por vezes faz saltar um bocadinho a tampa,mas é só esse bocadinho porque logo depois, por vezes, essa mesma pessoa está aagradecer o trabalho feito.
3. Recebem umatransmissão a indicar o próximo local de combate. No momento em que se entrapara o helicóptero, o que se pensa?
Todos os incêndioscomeçam pequenos por isso este tambem vai estar.
4. Para quemquer realmente ajudar, o que faz a diferença? Que comportamentos ainda épreciso trabalhar nas populações?
Principalmentea prevenção para quem mora junto a uma área florestal: Uma simples limpezado mato, 50 metros à volta das habitações, ajudava muito no combate e naproteção das mesmas. Fica a dica .
5. Há alturasem que se pensa: "Desta não me safo..."?
Felizmente têmsido poucas e temos estado sempre errados hehehe!!!
6. Terminadomais um dia intenso de trabalho, missão cumprida, o que sabe bem nesse fim dedia?
Estar com aFamilia no fim do dia dá sempre mais uma força para o dia seguinte .
7. Nas muitassituações limite que já viveste, o que ajuda a manter o foco e o raciocínioobjetivo, apesar do extremo cansaço e de parecer que à volta já não há saída?
O muito treinoe formação a que estamos sujeitos e penso que a experiência dos muitos anos decombate a incêndios florestais também acabam por ajudar a manter a calma emsituações extremas.
8. E o Sporting... desde quando?
Desde1906...depois apareci eu hehehe! Desde sempre. Sportinguistade 3ª geração e com muito orgulho. Tenho uma vagaideia de ter estado nos ombros do meu Pai em Alvalade no 7 a 1 ao Benfica com 4ou 5 anos... De ir ver os jogos de basket e hóquei na nave do antigo estádio,de passar os Domingos à tarde a ouvir o relato com o meu avô pelo rádio… Pelomenos enquanto estávamos a ganhar, que ele era mais doente que eu e se a coisaestivesse a correr mal, desligava o rádio hahaha!!!
10.Este blog chama-se Penso Rápido – pequenos remédios para as comichões dodia-a-dia. Que Penso Rápido usas no teu dia-a-dia?
Uma questão de perspectiva. Muda-se o ângulo, o foco, o cenário. Escolhe-se (quantas escolhas fazemos diariamente...) centrar o dia, a semana no Sim, em vez do Não, e a cor do dia muda. Tudo, na santa vidinha, com a dimensão da perspectiva que lhe queiramos dar.
Nasci como mãe há 9 anos e mais ou menos 9 meses. Tão grata e abençoada por esta aventura se ter iniciado com um miúdo como ele. Sou muito melhor pessoa com e por ele. O meu João. O meu doce João.
Há dias de dor. Tristeza. Há dias em que se volta às questões de vida.
Passar a dizer os tempos verbais no passado em relação a alguém, que continua tão presente dentro de nós. Sempre irá ficar.
Às vezes dizia que eu era também um pouco filha dela. Tocou na vida de tantas pessoas, com tamanho carinho, amor e dedicação que na sua última homenagem, estiveram muitos outros "filhos" emprestados presentes.
Um amor imenso por ela que ficará para sempre.
Até sempre Mãe Manela.
E este remédio, este penso rápido, para estes dias, para os próximos, para todos os dias.
Habituei-me a ver o David desde sempre, acho. Sorriso pronto.Resposta rápida e pensada. Gosto dele. É um jovem. Tem uma Paralesia Cerebralque lhe limita os movimentos mas não os pensamentos. É um jovem. É uma pessoa.Ponto final. Ainda há muito preconceito. Quero acreditar que muito porignorância, mais do que por malvadez. Tem uma família valente ao lado dele. Quecuida, que está lá. Que lhe quer o melhor. E ele, por sua vez, dá o melhor.Afinal, o que é pedido a qualquer um de nós, certo?
Gosto das respostas prontas dele. De alguma irreverência. Deque ele goste de andar todo arranjado com gravata. Do sorriso do olhar dele. Deele saber tanto de História. Da luta física dele diária. Da persistência. ODavid é um valente. E tem muitas coisas para contar e muitas mais para fazer.
Vamos Cuscar?
Idade: 16 anos.
Naturalidade: Sertã.
Comidas preferidas: Batatas fritas com ovo estrelado esalsichas.
Um livro a não perder: muitos entre os quais Uma Aventura deIsabel Alçada e de Ana Maria Magalhãese a coleção Portal do Tempo de Vera SacramentoSara Rodi.
1. Se pudesses convidar alguém famoso (vivo oumorto) para jantar, quem escolherias e porqué? A atriz Sara Matos porque gosto do seutrabalho na televisão. Acompanho-a desde que entrou nos Morangos com açúcar,série 7 da TVI.
2. Para quem não te conhece, podes explicarque doença é esta que te acompanha desde sempre?
A minha doença chama-se paralisiacerebral, um problema que pode ser trado com trabalho, claro. Mas… Como disse aDrª Ana Bela: “Tem uma Paralisia Cerebral que lhe limita os movimentos mas nãoos pensamentos.” Um exemplo, eu escrevo livros desde dos 10 anos, ou seja,posso ter algumas limitações com a mão direita, mas tenho a esquerda paraescrever.
3. O que te irrita e chateia mais quando andasna tua cadeira de rodas?
Quando está a ficar sem bateria e começaa andar devagar, eu gosto de andar depressa. E quando vou dar um passeio eencontro obstáculos no caminho como postes da luz, árvores, vasos de flores nomeio do passeio, e passeios que têm rampa para subir e não têm para descer,depois tenho de voltar para trás e fazer o mesmo caminho pela estrada. Ideiasde pessoas que não fazem ideia do que é andar de cadeira de rodas, deviamtentar fazer uma viagem pela Sertã, na minha cadeira…
4. Sendo um GRANDE conhecedor e apaixonadopela História, se pudesses entrar numa máquina do tempo, para que época gostariasde viajar e porquê?
Para a época dos Gregos em Atenas, paraver os monumentos e o modo administrativo que eles tinham, porque todos oscidadãos sendo ricos ou pobres poderiam governar a cidade, desde que tivessemconhecimento das leis da cidade.
5. Qual o personagem histórico de que maisgostas? O que te fascina nele?
D. Afonso Henriques, a sua coragem. Porquese não fosse ele, Portugal ainda era pertencente a Espanha e não eramosindependentes.
6. Neste momento estás a estagiar naBiblioteca Municipal Padre Manuel Antunes. Qual a melhor parte desta novaaventura?
Foi conhecer as funcionárias e aprendertudo o que elas têm para me ensinar, são bué fixes. Adoro trabalhar no meio doslivros.
7. Normalmente quando chegamos à Biblioteca etu lá estás para nos receber, tens sempre um sorriso pronto. O que mais te fazsorrir no teu dia-a-dia?
Não sei… se calhar é da conversa dasfuncionárias que me faz sorrir. As tolices engraçadas que os meus colegasdizem.
8. Tens uma vida inteira à tua frente. Quesonhos tens David?
Ser escritor.
9. Vê-se por aí muito disparate a ser feito,por alguns jovens... O que lhes tens a sugerir?
Dizia para pararem com aquilo, que não écorreto, que não é a melhor opção, porque iam dar-se mal… principalmente com asaúde e com a polícia.
10. Este blog chama-se Penso Rápido – pequenosremédios para as comichões do dia-a-dia. Que Penso Rápido usas no teu dia-a-dia?
Conversar com pessoas mais velhas.Escrever os meus livros e ler muito.