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Penso Rápido

Pequenos Remédios, para as comichões do dia-a-dia.

Penso Rápido

Pequenos Remédios, para as comichões do dia-a-dia.

E foi tudo para o lixo

Era a lista para as compras.
Lista para as atividades dos miúdos: ballet, Karate, mandarim, como fazer um pudim, ciclismo, malabarismo.
O caderno da lista doméstica: trocar as roupas da estação do ano (ainda existem?), limpar os sapatos, os atacadores, arrumar os livros e pergaminhos da estante que eram da avó. A gaveta do frigorífico e a tábua de cortar a carne. Desinfetar e arrumar. Limpar os wc´s com o detergente azul, a cozinha com o verde. 
Faltava outro caderno da lista do trabalho: marcar 4 reuniões, mandar vir os materiais para as maquetas novas, responder aos últimos 30 mail´s, atualizar o estado no facebook profissional e fazer o pino,  a cada 45 minutos para ativar a circulação sanguínea e incrementar mais ideias.
E ainda a lista da família: tratar do bolo de anos da tia Alzirinha, a prenda da sobrinha mais nova e imprimir as fotos do último Verão em Mira.

Havia claro, uma lista que coordenava todas estas listas. De forma a que tudo batesse certo, não fosse o universo parar de respirar.

Naquele dia, entre muitos post-it de várias cores florescentes diferentes, o quadro de registo desmoronou-se no chão. Ou teria sido ela? 

Os muitos afazeres fugiram das folhas, das listas, das enormes listas e apanhando a janela aberta, fugiram por entre a fresta e lançaram-se no espaço. Literalmente voo tudo para o espaço. Foi-se. Trabalho de horas, raciocínios complexos de tentar encaixar tudo. Foi-se. 

Como fazer, viver ou respirar... sem as listas?

Olhou então para o que tinha ficado em cima da mesa de trabalho, na parede e no quadro de tarefas. Nada. Um vazio. Ou o vazio seria dentro dela?

Pegou num lápis, fechou os olhos. Respirou. Uma, duas, três, quatro vezes. Respirou de novo. Uma, duas, três, quatro vezes. Respirou mais uma vez. Uma, duas, três, quatro vezes. Olhou de novo para as folhas, para as listas, agora vazias. E começou a desenhar, a escrever, o que realmente era importante naquele dia:

  • Sorrir, para dentro. Para fora. Para mim. Para os outros.
  • Rir...pelo menos uma vez, com imensa vontade. Criar situações de riso.
  • Abraçar, mais.
  • Brincar. Atirar-me para o chão, pegar em carros, bonecas, na consola...brincar com eles.
  • Sentir-me grata. Abençoada. 
  • Deixar de listar tanto. Viver.
  • Estar consciente do presente. Do agora. 
E foi assim, que tudo o resto foi para o lixo.


imagem daqui - We Blog You

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